Arquivo da categoria 'Uncategorized'

07
Ago
08

Auto-retrato

Eu costumo ouvir das pessoas que ainda sou novo. Não concordo. Já fiz bastante coisa na minha vida, nem todas boas, mas todas me ensinaram alguma coisa. Bebi todas as bebidas que conheço, algumas muito, outras uma vez e nem quero ver novamente na frente. Já fumei cigarros, normais e de palha. Comi tudo que podia e queria, excessivamente. Experimentei maconha e não gostei, nem um pouco, e depois comi mais do que excessivamente. Briguei com pessoas que jamais mereceram minha ira e fui condescendente com muitas que mereciam.  Fui mimado por meus pais, tias, amigos e namoradas. Menti diversas vezes, sobre diversas coisas, para irmãos, pais, amigos, namoradas e isso me fez perder grandes oportunidades e muita confiança que até hoje não reconquistei.

Roubei das pessoas verdades que elas deviam saber por direito, omiti fatos importantes e isso me custou muita dor e muito sofrimento. Tentei sofrer sozinho, mas em vão percebi que ninguém pode viver realmente sozinho e que sociedade é um conceito diferente do aprendido em ciências sociais, e mais importante que o conceito de família vai muito além da compreensão de nós humanos.

Contei histórias que jamais aconteceram, e deixei de contar versões reais de algumas que ocorreram, algumas vezes por medo da reação de outras pessoas envolvidas. Mas sempre, indagavelmente sempre me ferrei no fim das contas.

A mentira é um vício difícil de ser superado, é a pior droga que pode existir, e não faz bem, em momento algum.

O pior de tudo, é que na maioria das vezes, mentia por um naco de atenção. Sempre fui viciado em atenção e por ela me viciei na mentira. Queria me sentir importante, queria ser o destaque das festas, o cara mais legal de todos.

Nunca percebi que atenção era algo que naturalmente eu sempre tive. Destaque é algo que está impregnado em mim e não porque eu quero, mas porque faz parte do meu caráter ser engraçado, visado, sendo humilde de verdade, sempre consegui isso sem esforço.

Mas aí vem o Elogio. E ele te faz querer mais e mais e mais. Sempre quis mais atenção do que tinha, e pra isso inventava histórias e acabei me perdendo no meio de tudo isso.

Passou, cresci. Hoje continuo tendo atenção em demasia, mas consigo controlar a situação. Acho que tudo acontece por um motivo. Hoje eu vi claramente o motivo disso tudo.

Deus, um cara ao qual nunca dei muita confiança, me deu um presente que eu jamais esperava receber. Um sobrinho, uma vida, Deus me deu a maior atenção que eu podia receber. Ele esperou eu atingir tamanho grau de maturidade e enviou por meio de dois anjos ( Caco, Chá eu amo vocês ) um regalo que eu vou amar mais que tudo que já amei. Sempre acreditei que minha vida seria diferente da dos outros. Nunca me imaginei cercado de crianças me enchendo o saco. Mas quer saber, que encham à vontade, pois eu esvazio para eles poderem fazer tudo denovo.

Caco, chá obrigado. O presente é na verdade de vocês, mas eu me sinto presenteado também.

E que venha meu sobrinho, menino ou menina.

15
Jun
08

O Carteiro de Liechtenstein

Pentok era um homem já feito. Estava com 34 anos e durante toda sua vida quis ser um arqueiro. Não conseguiu. Enxergava muito mal e não acertava os alvos, nunca passou em um teste. Quando tinha 20 anos, precisou começar a  trabalhar. Seu pai Atros o explusara de casa, como era costume em Liechtenstein para garotos nessa idade que não haviam entrado no serviço militar. Foi então que o rapaz se candidatou a uma vaga no serviço de entrega da cidade. Era inteligente, demais até para aquela profissão, mas aceitou a condição e se destacou. Em poucos anos conseguiu algumas promoções e já entregava as encomendas especiais no castelo de Glastron, não precisando nem mesmo se identificar nos portões. Era conhecido por sua agilidade em entregas e controlava bem seu cavalo.

Durante um inverno rigoroso, Pentok recebeu a incumbência de entregar uma lança dourada para o capitão dos lanceiros dentro do castelo. Pegou seu cavalo, e com o pacote em mãos foi fazer seu serviço. Adentrou os portões como de costume e se dirigiu para a área de treinamento militar. Ali chegando viu alguns homens encapuzados na entrada de uma torre negra. Dirigiu-se ao local e foi barrado por um dos homens que disse:

- Aonde vais rapaz?

- Tenho uma entrega a fazer pessoalmente ao capitão Trinom dos lanceiros.

- Pois deixe aqui a entrega e vá! Ninguém que não seja militar adentra a torre – disse o outro guarda

- Não! – exclamou Pentok  -fui ordenado a entregar isso pessoalmente e só assim sairei daqui.

Um dos guardas adentrou a torre e poucos minutos depois, saiu afirmando que Pentok estava autorizado a entrar. O rapaz ficou espantado com a escuridão e o cheiro de umidade dentro do local. Não imaginou que alguém pudesse viver ali. Mas sabia como eram mos militares e deixou passar o pensamento.

Subiu alguns lances de escada e chegou a uma porta. Bateu e recebeu a autorização a entrar. O homem que lhe esperava era grande, muito grande e de uma força descomunal. Careca e com uma cicatriz na testa, o homenzarrão se dirigiu ao rapaz, pegou o embrulho de suas mãos e disse:

- Pode ir agora carteiro, já fez seu serviço.

Pentok não queria discussão, portanto virou-se, mas antes de sair viu encostada em uma das paredes do recinto uma garota de semblante triste. Vestia um vestido escuro, com detalhes dourados. Era linda, mas a tristeza a estava consumindo e isso era visível.

- Saia rapaz, não vou repetir – o capitão repetiu.

Pentok saiu rapidamente desceu as escadas, subiu em seu cavalo e saiu dali às pressas. Durmiu mal aquela noite. Pelo frio e pela perturbação da imagem daquela garota. Para piorar o inverno ficou mais rígido e não havia possibilidades de sair de casa.

Pois o rapaz ficou o resto do inverno pensando na garota. Não conseguia tirá-la da cabeça e havia decidido que voltaria à torre e encontraria uma maneira de tirá-la dali.

Subiu novamente em seu cavalo, e chegou às portas da torre. Tudo estava diferente. Diversos homens treinavam golpes de lança em frente à construção e acima de um pequeno palanque estava o capitão observando. Pentok se dirigiu a ele e esperou que o home  lhe autorizasse a subir. Dessa vez o guerreiro tinha o semblante mais calmo e até chegou a sorrir.

Sem delongas, o carteiro lançou:

- Trinom, preciso lhe perguntar, aquela garota, que estava com você na sala da torre. Ela…

- Tiara? O que tem ela?

- Ela, bem…  ela parecia triste, muito triste.

- Pois deveria estar, eu matei o irmão dela e trouxe-a como escrava. Mas ela não me agradou. Coloquei-a como servente geral nos aposentos do rei, mas ela ainda me pertence.

- Ela é sua escrava? – Pentok indagou com os olhos marejados

- Sim rapaz, ela é. E continuará sendo. Não adianta fazer qualquer proposta, já recusei as melhores por ela. Com certeza você não poderá fazer uma melhor.

- Eu lhe dou qualquer coisa Trinom. O que você pedir. Não tenho muito dinheiro, mas consigo o que for. Essa mulher está tirando meu sono, não durmo mais em paz desde aquele dia.

- Ahhhh   hahaha Está apaixonado carteiro? Um carteiro apaixonado por uma escrava. Ouviram lanceiros!!! Esse homem quer levar com ele uma das minhas escravas. Disse que me consegue o que for. O que vocês me dizem?

Diversos gritos vieram dos guerreiros, mas Pentok não se abateu, nem se assustou. Estava disposto a conseguir o que queria.

- Diga o que quer Trinom e eu buscarei onde for, pelo preço que for.

- Como e mesmo seu nome rapaz?

- Pentok, Pentok Piginos!

- Pois então, já que você está tão disposto a conseguir essa escrava suja Pentok, eu lhe darei sua chance. Na montanha lateral ao castelo, há uma trilha que leva a uma cachoeira. Ali vive um antigo combatente que me venceu uma vez e me levou algo que eu prezo muito, um anel de safira branca. Se conseguir este anel para mim, leva a garota e moedas de ouro para seguir sua vida. Mas já lhe aviso, o homem que vais encontrar é mais forte do que podes suportar e será impossível para você tirar o anel dos dedos dele.

Um fino sinal de felicidade inundou o coração do jovem carteiro. Não lhe importava quão forte era seu adversário ou qual seria a dificuldade em vencê-lo, traria o anel para Trinom e ficaria com Tiara de qualquer maneira. O novo aventureiro subiu em seu cavalo e em poucos minutos estava na entrada da trilha para a cachoeira e bem provavelmente para sua destruição. Adentrou o caminho sem medo no coração e sem cautela na afobação. A estrada era curta e em uma hora, Pentok chegou à cachoeira e pode vislumbrar de longe, próximo a uma casa feita de palha e madeira, um homem de proporções abissais. O grande guerreiro estava de costas para e quebrava algumas toras de madeira – com as mãos – sem uso de machado.

Pentok se dirigiu ao local onde o gigante estava, e antes mesmo de chegar à metade do percurso, viu que o homem que estava de costas agora olhava fixamente para ele, segurando fortemente uma das toras em sua mão, de forma ameaçadora. O rapaz ergueu a mão em sinal de paz, e continuou até chegar de frente para o guerreiro, que agora se mostrava ainda maior do que parecia.

- O que quer aqui rapaz?

- Meu nome e Pentok Piginos.  Venho com uma história e um pedido de misericórdia.

- Pois desça do seu cavalo, me conte sua história!

O carteiro desceu e sem cumprimentos pessoais, começou a contar toda série de acontecimentos. Quando mencionou o nome de Trinom, viu um sorriso de satisfação na face do ouvinte. Mas continuou a desenrolar sua epopéia. Ao final de sua história ouviu o homem dizer:

- Pois então Pentok. Você foi mandado aqui para me matar e levar de volta o anel daquele sujo do Trinom, e realmente acredita que fará isso com tamanha facilidade? Direi-lhe duas coisas garoto. A primeira é que a história que sabe é falsa. Eu não derrotei Trinom, na verdade ele nem chegou a lutar comigo, por isso eu tenho o anel. Em sua loucura para chegar ao alto comando dos lanceiros, aquele covarde matou meus dois irmãos, acusando-nos os três de conspiração. Quando eu fui atrás dele, ele enviou uma tropa inteira da guarda particular do rei para me barrar, dizendo que eu não precisava perder a vida e me deu um anel e uma carta de garantia. Enquanto eu estivesse com o anel de safira branca, ele não poderia vir atrás de mim. Pois ocorre que naquela época eu era o chefe dos lanceiros e nenhum dos meus homens colocaria um dedo em mim.  Hoje as coisas são diferentes, se ele me tirar essa garantia, virá com todos seus homens para cá e me matará. Tudo isso, porque quando eu era chefe dos lanceiros, não permiti a Trinom uma posição alta de comando, pois sempre percebi sua ganância e crueldade. Mas ele sempre foi muito chegado ao rei e não foi difícil convencer o velho de que éramos traidores. A segunda coisa que lhe direi será que não desgosto de você, mas se tentar ficar com o anel, serei obrigado a matá-lo.

O carteiro sentiu raiva. Percebeu que estava sendo usado, arriscando sua vida por um porco sujo e que era até provável que nem recebesse o que lhe foi prometido. Foi então que teve uma idéia

- Qual seu nome guerreiro? – Pentok perguntou

- Nesmirok

- Pois Nesmirok, você por acaso teme o chefe dos lanceiros do castelo de Glastron.

 Trinom estava em seu momento de descanso, deitado na areia em frente à arena de treinamento, pensando em suas vitórias e em suas riquezas. De repente, sentiu o chão tremer e levantou os olhos e viu chegando numa velocidade aterrorizante, o cavalo do carteiro. Fixou os olhos e pode ver que havia duas pessoas montadas. Percebeu tudo em um milissegundo e tentou correr para os portões da torre negra, não houve tempo. Antes mesmo de gritar por socorro foi surpreendido por uma pequena lança que traspassou seu ombro esquerdo levando-o ao chão.

Logo após, foi literalmente erguido do chão pelo gigante Nesmirok. Foi então que o carteiro lhe disse:

- Sabe Trinom, você realmente tinha razão. É impossível tirar o anel dos dedos dele, mas você só disse que queria que eu trouxesse o anel até você. Pois então, o anel está aqui como eu lhe prometi.

O chefe dos lanceiros olhou com ódio para o carteiro. Como podia ter sido vencido por um garoto mirrado e sem nenhum treinamento militar. Voltou seus olhos para Nesmirok, mas não houve tempo para palavras. O grande guerreiro atravessou o peito de Trinom com uma lança dupla, matando-o quase que imediatamente. Em poucos segundos o Pentok e o gigante estavam cercados por diversos lanceiros e arqueiros. Foi então que Nesmirok ergueu o anel e a carta de garantia e bradou:

- Lanceiros de Liechtenstein, hoje vocês voltam a receber ordens de seu antigo comandante. Abram caminho para que o rapaz passe e leve com ele o que ele tanto preza.

Todos fizeram um corredor e Pentok passou por eles com seu cavalo, se dirigiu à torre e subiu correndo as escadarias. Escancarou a porta do aposento e viu Tiara, sentada quieta em uma cadeira. O carteiro se aproximou e ajoelhou-se em frente a garota e olhando em seus olhos lhe disse:

- Sei que não posso lhe dar a vida de seu irmão de volta, mas posso trazer felicidade para os momentos futuros. Estou aqui para levar você comigo, desde o dia em que vim aqui e a vi não consigo dormir pensando na sua solidão e na sua tristeza. Acompanhe-me Tiara e eu prometo que jamais se sentirá sozinha novamente.

A mulher olhou fundo nos olhos do rapaz e sorriu. Levantou-se  e abraçou  seu salvador. Chegou com sua boca próximo ao ouvido do rapaz e então disse:

-  Por quê você demorou tanto?

Lágrimas saíram dos olhos de ambos. Pentok e Tiara saíram da torre e se dirigiram para a casa do carteiro, onde ele cuidou dos ferimentos dela e dos próprios.

Poucos dias após o ocorrido,  Pentok recebeu um pequeno pacote em sua casa. Uma caixa pequena e leve. Abriu-a e encontrou ali o anel de safira branca com um bilhete que dizia.

“ Que seja agora apenas um adorno e não mais a chave para a liberdade de alguém “

16
Abr
08

Amigos e amigos!!!

É interessante, existem amigos e amigos! Eu sei que esse chavão é bem típico, mas é real.

Tem aquele amigo (a) que ta sempre brigando com você, enchendo o saco por tudo aquilo errado que você faz. Que saco! E logo ele que deveria apoiar sempre!  Será?

Tem aquele que nem sempre está perto, mas nunca está realmente longe. Podem passar 10 anos sem se ver, mas o abraço de reencontro é mais sincero do que muitos outros.

Tem amigo(a) que só está perto de você quando você vale pra alguma coisa, mas quando perde o valor, te descarta como papel.

Tem uns que brigam com a gente, e nem olham na cara, mas a maior vontade deles e vir e nos dar um baita abraço, mesmo estando com a razão.

Tem outros que a gente tem que ficar convencendo de que são amigos. É aquele que você fica ligando o dia inteiro pra ir numa festa, ele(a)  diz que vai, mas não aparece. No outro dia vem te perguntar por que está estranho com ele(a).  Você diz que está estranho porque ele não foi no churrasco e ele vira e diz “ Eu tinha motivos para não ir “ . Aí você fica ainda mais puto e tem vontade de perguntar “ E pra ir você não tinha NENHUM?, Nem sabendo que eu estava lá? Que estava te esperando? “, mas se cala e sabe que nessas horas não vale o esforço. Algumas vezes acaba desistindo da amizade, em outras acaba desistindo da pessoa!!!

Tem os mais relaxados, só querem saber de te amolar, te inventam uma porrada de apelidos, mas gostam mais de você do que muitos acima citados. Alguns desses te acompanham pro resto da vida e se mostram pessoas fantásticas.

Tem os falsos, que sorriem, te abraçam e assim que você vira as costas, falam de todos seus defeitos e inventam uma enxurrada de mentiras sobre sua vida.

E por final tem o mais difícil. Aquele que te ama, mas ama de verdade. Que passa um aperto pra você não ter que passar. Sacrifica alguma coisa para o seu bem estar.  Perde o sono, perde a  festa,  perde um dia de atividade, perde uma hora de bar pra chegar mais tarde com você, te espera onde for, quando for, como for, e sozinho, pra você não ter que ir também sozinho a algum lugar. Arrisca um monte de coisas, perde algumas delas,  algumas indefinidamente, e ainda assim não reclama disso. Sofre quieto, espera mudanças que sabe que não vão vir. Força o coração a esquecer tudo, menos você. Te dá um tapa pra você não tomar um mais forte. Chora com suas perdas. Ri das suas alegrias. Se preocupa mais que você com suas preocupações. Conta os dias para sua volta de uma viagem.  E ainda assim, mesmo  que ganhe apenas um olá de retorno, fica extremamente feliz com sua presença.

Ainda assim,  machucamos esse amigo (a) todo dia um pouquinho. Ainda assim não respeitamos ele(a).

Por isso que eu digo, tem amigos e amigos!!!  Qual deles é você?  Qual deles você quer pra si?

 

Por Gabriel Lucas Souza




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