Francine era uma garota extremamente possessiva, tinha ciúmes de tudo que estava próximo a ela. Seu maior objeto de possessão era seu filho Igor. Só tinha um e ninguém o tirava de perto. Estava separada há algum tempo,pois seu ex marido não suportou o gênio infernal da moça. Só permitia que o pai visse o menino por questões judiciais, senão, negaria qualquer visita
Já fazia alguns meses, estava tentando novamente namorar. Tinha um pequeno problema, não deixava o filho com ninguém, então aproveitava os fins de semana que ele estava com o pai para sair um pouco, ainda assim ligava frequentemente para a casa do ex para saber como estava o garoto. Conseguia alguns momentos agradáveis com alguns rapazes, mas nada fixo e estava começando a ficar cansada e deprimida.
Conversou com uma das poucas amigas que tinha e a mesma lhe indicou uma cartomante ( Cigana Dandara ), que assegurou ser fantástica. Francine não era muito chegada nessas coisas, mas estava tão carente e chateada que decidiu que não custaria nada.
Ligou para Dandara na mesma hora e marcou um horário para dali a dois dias. Estava ansiosa e alegre pela possibilidade. Como não era um fim de semana, levou consigo seu filho. Chego no local onde Dandara atendia e sentiu um ar aromatizado, e ao mesmo tempo diferente.
Entrou passando por cortinas leves e transparentes, de diferentes cores. Imaginou que seria recebida por uma mulher toda maquilada, sentada numa mesa com uma bola de cristal a sua frente. Nada disso. A cigana estava sentada no chão em uma almofada grande e várias outras coloridas estavam vazias. Não havia véu ou excesso de cores no rosto da mulher. Ela anda disse, ofereceu as almofadas para que mãe e filho se sentassem.
Assim que os visitantes se sentaram Dandara focou seu olhar em Igor e uma lágrima saiu de seu rosto. Ela então olhou para Francine e disse:
- Sei o motivo pelo qual veio, mas isso não tem importância nesse momento! Você deve libertar mais o garoto, caso contrário irá perdê-lo para sempre!
Francine assustou, se levantoua e agarrou forte a mão do menino e saiu arrastando-o para fora. Estava extremamente irritada, nada tiraria dela o garoto, nem mesmo aquele crápula do ex-marido.
Pouco antes de sair, Igor olhou para trás e viu Dandara ainda chorando.
O fim de semana chegou e com ele veio uma briga. A mulher ligou para o pai do menino, avisando que esse fim de semana eles iriam a uma festa juntos e que assim pai e filho não poderiam ficar juntos dessa vez, depois pensaria em algo para não permitir definitivamente que ambos se vissem. Sua possessão estava no auge. O rapaz reclamou, dizendo que tinha o direito de ver o filho, mas a moça nem o ouviu e desligou o telefone antes mesmo de se despedir.
Na verdade, Francine tinha um encontro naquela noite, mas já havia planejado tudo. Deixaria o filho sozinho depois que ele dormisse. Não iria demorar mais que duas horas e sendo assim não via problema algum.
Esperou o garoto dormir, se aprontou, fez um café as pressas e saiu. Chegou no local indicado para o encontro e lá estava seu príncipe. Avisou-o que teria de ser rápido e assim foi. Menos de duas horas depois Francine estava a caminho de casa.
Mas aí veio o baque! Chegando próximo à entrada, viu fumaça e fogo. Além de vários vizinhos amontoados em frente a sua casa. Parou o carro abruptamente e saiu correndo em direção }à muvuca. Foi barrada por um de seus vizinhos, que em meio a palavras confusas dizia alguma coisa sobre explosão e sinto muito, é triste.
Empurrou o rapaz e continuou a correr em direção a entrada de casa. Foi barrada novamente, agora por um policial:
- Eu moro aqui – gritava – meu filho está La dentro, meu filho, Igor – continuava a gritar, na esperança de que seu filho ouvisse e viesse a seu encontro.
- Me desculpe minha senhora, mas ninguém pode entrar, sinto muito pelo garoto, os bombeiros chegaram o mais rápido que puderam.
- Sai da minha frente, eu quero meu filho, Igor, Igor – Francine não parava de gritar
Um homem do corpo de bombeiros chegou, e falou com a mulher:
- Me acompanhe senhora por favor!
Francine estava com as pernas tremendo, fez uma força descomunal para se manter em pé e acompanhar o oficial. Não acreditava no que estava acontecendo. Chorava copiosamente e sentia uma dor que nunca sentira antes. Foi se dirigindo para onde o bombeiro caminhava, e quase desmaiou quando viu, deitado numa maca, segurando um bichinho de pelúcia, seu seu filho , Igor.
A mulher correu em direção ao pequeno e o abraçou, nem pensou nos ferimentos visíveis que o menino tinha. Foi afastada por um dos paramédicos, que lhe disse:
- Deixe ele um pouco quieto, ele ainda está muito machucado. A senhora têm muita sorte, o rapaz é forte.
- Você está bem filho?
O garoto a olhou e disse:
- Estou mamãe. Eu estava dormindo e ouvi alguém me chamando no jardim, me levantei, senti um cheiro estranho e corri para onde estava a voz. Cheguei lá e achei estranho. Não sabia que você tinha saído e muito menos que agora estava chamando babás. Ainda mais aquela moça que você pareceu odar.
- Que moça meu filho! Que babá, eu não chamei babá nenhuma!
- Como assim mamãe, ela estava no jardim, aquela cigana! Dandara!
Francine
Não ouviu ou viu mais nada! Desmaiou como se o filho a tivesse dado uma panelada na nuca.
Acordou na cama do hospital, com o filho sentado numa cadeira ao lado e um vaso de flores na cômoda. Abriu os olhos devagar, olhou o filho e o mesmo veio lhe dar um apertado abraço, depois o garoto, pegando o vaso de flores anunciou:
- São para a senhora mamãe! Chegaram 15 minutos depois que você chegou aqui.
Francine estranhou a rapidez, pegou as flores na mão. Junto com elas havia um cartão. Abriu-o e então leu:
“ ESSAS FLORES SE CHAMAM PERVINCA, QUE SIGNIFICAM LEMBRANÇA ETERNA, DENTRO DO VASO HÁ UM ENVELOPE COM UM MEDALHÃO QUE SIGNIFICA VIDA NOVA! ESPERO QUE SAIBA FAZER PROVEITO DOS DOIS.”
Ass. Dandara.
Francine chorou, olhou para o filho e chorou.
Saiu do hospital no dia seguinte e decidiu que ia mudar. Chegou em casa, pegou uma mala e colocou as roupas do filho e mesmo sendo no meio da semana informou o garoto que iria levá-lo para ver o pai.
O menino sorriu, um sorriso dolorosamente sincero e disse:
- Não, hoje não mãe, hoje eu quero ficar com você e só com você!