Arquivo de Abril, 2008

16
Abr
08

Amigos e amigos!!!

É interessante, existem amigos e amigos! Eu sei que esse chavão é bem típico, mas é real.

Tem aquele amigo (a) que ta sempre brigando com você, enchendo o saco por tudo aquilo errado que você faz. Que saco! E logo ele que deveria apoiar sempre!  Será?

Tem aquele que nem sempre está perto, mas nunca está realmente longe. Podem passar 10 anos sem se ver, mas o abraço de reencontro é mais sincero do que muitos outros.

Tem amigo(a) que só está perto de você quando você vale pra alguma coisa, mas quando perde o valor, te descarta como papel.

Tem uns que brigam com a gente, e nem olham na cara, mas a maior vontade deles e vir e nos dar um baita abraço, mesmo estando com a razão.

Tem outros que a gente tem que ficar convencendo de que são amigos. É aquele que você fica ligando o dia inteiro pra ir numa festa, ele(a)  diz que vai, mas não aparece. No outro dia vem te perguntar por que está estranho com ele(a).  Você diz que está estranho porque ele não foi no churrasco e ele vira e diz “ Eu tinha motivos para não ir “ . Aí você fica ainda mais puto e tem vontade de perguntar “ E pra ir você não tinha NENHUM?, Nem sabendo que eu estava lá? Que estava te esperando? “, mas se cala e sabe que nessas horas não vale o esforço. Algumas vezes acaba desistindo da amizade, em outras acaba desistindo da pessoa!!!

Tem os mais relaxados, só querem saber de te amolar, te inventam uma porrada de apelidos, mas gostam mais de você do que muitos acima citados. Alguns desses te acompanham pro resto da vida e se mostram pessoas fantásticas.

Tem os falsos, que sorriem, te abraçam e assim que você vira as costas, falam de todos seus defeitos e inventam uma enxurrada de mentiras sobre sua vida.

E por final tem o mais difícil. Aquele que te ama, mas ama de verdade. Que passa um aperto pra você não ter que passar. Sacrifica alguma coisa para o seu bem estar.  Perde o sono, perde a  festa,  perde um dia de atividade, perde uma hora de bar pra chegar mais tarde com você, te espera onde for, quando for, como for, e sozinho, pra você não ter que ir também sozinho a algum lugar. Arrisca um monte de coisas, perde algumas delas,  algumas indefinidamente, e ainda assim não reclama disso. Sofre quieto, espera mudanças que sabe que não vão vir. Força o coração a esquecer tudo, menos você. Te dá um tapa pra você não tomar um mais forte. Chora com suas perdas. Ri das suas alegrias. Se preocupa mais que você com suas preocupações. Conta os dias para sua volta de uma viagem.  E ainda assim, mesmo  que ganhe apenas um olá de retorno, fica extremamente feliz com sua presença.

Ainda assim,  machucamos esse amigo (a) todo dia um pouquinho. Ainda assim não respeitamos ele(a).

Por isso que eu digo, tem amigos e amigos!!!  Qual deles é você?  Qual deles você quer pra si?

 

Por Gabriel Lucas Souza

15
Abr
08

Possessão

Francine era uma garota extremamente possessiva, tinha ciúmes de tudo que estava próximo a ela. Seu maior objeto de possessão era seu filho Igor. Só tinha um e ninguém o tirava de perto. Estava separada há algum tempo,pois seu ex marido não suportou o gênio infernal da moça. Só permitia que o pai visse o menino por questões judiciais, senão, negaria qualquer visita

Já fazia alguns meses, estava tentando novamente namorar. Tinha um pequeno problema, não deixava o filho com ninguém,  então aproveitava os fins de semana que ele estava com o pai para sair um pouco, ainda assim ligava frequentemente para a casa do ex para saber como estava o garoto. Conseguia alguns momentos agradáveis com alguns rapazes, mas nada fixo e estava começando a ficar cansada e deprimida.

Conversou com uma das poucas amigas que tinha e a mesma lhe indicou uma cartomante ( Cigana Dandara ), que assegurou ser fantástica. Francine não era muito chegada nessas coisas, mas estava tão carente e chateada que decidiu que não custaria nada.

 

Ligou para Dandara na mesma hora e marcou um horário para dali a dois dias. Estava ansiosa e alegre pela possibilidade. Como não era um fim de semana, levou consigo seu filho. Chego no local onde Dandara atendia e sentiu um ar aromatizado, e ao mesmo tempo  diferente.

Entrou passando por cortinas leves e transparentes, de diferentes cores. Imaginou que seria recebida por uma mulher toda maquilada, sentada numa mesa com uma bola de cristal a sua frente. Nada disso. A cigana estava sentada no chão em uma almofada grande e várias outras coloridas estavam vazias. Não havia véu ou excesso de cores no rosto da mulher. Ela anda disse, ofereceu as almofadas para que mãe e filho se sentassem.

Assim que os visitantes se sentaram Dandara focou seu olhar em Igor e uma lágrima saiu de seu rosto. Ela então olhou para Francine e disse:

- Sei o motivo pelo qual veio, mas isso não tem importância nesse momento! Você deve libertar mais o garoto, caso contrário irá perdê-lo para sempre!

Francine assustou, se levantoua e agarrou forte a mão do menino e saiu arrastando-o para fora. Estava extremamente irritada, nada tiraria dela o garoto, nem mesmo aquele crápula do ex-marido.

Pouco antes de sair, Igor olhou para trás e viu Dandara ainda chorando.

O fim de semana chegou e com ele veio uma briga. A mulher ligou para o pai do menino, avisando que esse fim de semana eles iriam a uma festa juntos e que assim pai e filho não poderiam ficar juntos dessa vez, depois pensaria em algo para não permitir definitivamente que ambos se vissem. Sua possessão estava no auge. O rapaz reclamou, dizendo que tinha o direito de ver o filho, mas a moça nem o ouviu e desligou o telefone antes mesmo de se despedir.

 Na verdade, Francine tinha um encontro naquela noite, mas já havia planejado tudo. Deixaria o filho sozinho  depois que ele dormisse. Não iria demorar mais que duas horas e sendo assim não via problema algum.

Esperou o garoto dormir,  se aprontou, fez um café as pressas e saiu. Chegou no local indicado para o encontro e lá estava seu príncipe. Avisou-o que teria de ser rápido e assim foi. Menos de duas horas depois Francine estava a caminho de casa.

Mas aí veio o baque! Chegando próximo à entrada, viu fumaça e fogo. Além de vários vizinhos amontoados em frente a sua casa. Parou o carro abruptamente e saiu correndo em direção }à muvuca. Foi barrada por um de seus vizinhos, que em meio a palavras confusas dizia alguma coisa sobre explosão e sinto muito, é triste.

Empurrou o rapaz e continuou a correr em direção a entrada de casa. Foi barrada novamente, agora por um policial:

- Eu moro aqui – gritava – meu filho está La dentro, meu filho, Igor – continuava a gritar, na esperança de que seu filho ouvisse e viesse a seu encontro.

- Me desculpe minha senhora, mas ninguém pode entrar, sinto muito pelo garoto, os bombeiros chegaram o mais rápido que puderam.

- Sai da minha frente, eu quero meu filho, Igor, Igor – Francine não parava de gritar

Um homem do corpo de bombeiros chegou, e falou com a mulher:

- Me acompanhe senhora por favor!

Francine estava com as pernas tremendo, fez uma força descomunal para se manter em pé e acompanhar o oficial. Não acreditava no que estava acontecendo. Chorava copiosamente e sentia uma dor que nunca sentira antes. Foi se dirigindo para onde o bombeiro caminhava,  e quase desmaiou quando viu, deitado numa maca, segurando um bichinho de pelúcia, seu seu filho , Igor.

A mulher correu em direção ao pequeno e o abraçou, nem pensou nos ferimentos visíveis que o menino tinha. Foi afastada por um dos paramédicos, que lhe disse:

- Deixe ele um pouco quieto, ele ainda está muito machucado. A senhora têm muita sorte, o rapaz é forte.

- Você está bem filho? 

O garoto a olhou e disse:

- Estou mamãe. Eu estava dormindo e ouvi alguém me chamando no jardim, me levantei, senti um cheiro estranho e corri para onde estava a voz. Cheguei lá e achei estranho. Não sabia que você tinha saído e muito menos que agora estava chamando babás. Ainda mais aquela moça que você pareceu odar.

- Que moça meu filho! Que babá, eu não chamei babá nenhuma!

- Como assim mamãe, ela estava no jardim, aquela cigana! Dandara!

Francine

Não ouviu ou viu mais nada! Desmaiou como se o filho a tivesse  dado uma panelada na nuca.

Acordou na cama do hospital, com o filho sentado numa cadeira ao lado e um vaso de flores na cômoda. Abriu os olhos devagar, olhou o filho e o mesmo veio lhe dar um apertado abraço, depois o garoto, pegando o vaso de flores anunciou:

- São para a senhora mamãe! Chegaram 15 minutos depois que você chegou aqui.

Francine estranhou a rapidez, pegou as flores na mão. Junto com elas havia um cartão. Abriu-o e então leu:

“ ESSAS FLORES SE CHAMAM PERVINCA, QUE SIGNIFICAM  LEMBRANÇA ETERNA,  DENTRO DO VASO HÁ UM ENVELOPE COM UM MEDALHÃO QUE SIGNIFICA VIDA NOVA! ESPERO QUE SAIBA FAZER PROVEITO DOS DOIS.”

Ass. Dandara.

Francine chorou, olhou para o filho e chorou.

Saiu do hospital no dia seguinte e  decidiu que ia mudar. Chegou em casa, pegou uma mala e colocou as roupas do filho e mesmo sendo no meio da semana informou o garoto que iria levá-lo para ver o pai.

O menino sorriu, um sorriso dolorosamente sincero e disse:

- Não, hoje não mãe, hoje eu quero ficar com você e só com você!

11
Abr
08

Gordo é uma merda

Eu sou gordo. Gordo mesmo sabe! Aquele cara grande e bochechudo! Esse sou eu. E a máxima é valida. Gordo é uma merda! Não a pessoa, mas o estado!

Só quem é ou já foi rechonchudo sabe como é!

Há um tempo  fui comprar roupa numa dessas lojas de departamento e uma das atendentes veio ao meu encontro. Me perguntou o que eu desejava e após saber que estava procurando por camisetas me levou ao setor em questão e então, provavelmente numa tentativa de me agradar ela lançou:

- Qual seu tamanho querido? M?

Aquilo me fez ter duas vontades. A primeira era perguntar se ela estava tentando me ganhar como cliente, a segunda era dar-lhe um soco na fuça e sair da loja. Me contive e respondi:

- Só se for M de maior, porque se for de médio não cabe não.

Ela entendeu bem o recado e me trouxe uma dúzia de camisetas GG. Ao experimentá-las pensei que ela tivesse se enganado e trazido as PP. Eu me sentia como um sonho de valsa. Convexo no centro e apertadinho nas pontas.

Desisti revoltado e como um bom paulistano fui dar uma volta no shopping. Resolvi, como todo gordo, comer em um fast food. Quando estava fazendo meu pedido a atentende me pergunta:

- O senhor deseja, por mais 2 reais levar o seu pedido como extra grande?

Eu queria morrer naquela hora, olhei bem na cara do ser vivo a minha frente e com a maior educação que  podia ter respondi:

- Não obrigado!

Acabando meu lanche ( entre os quatrocentos que todo gordo faz ) , resolvi tentar outra loja de roupas. Claro, mesmo resultado e dessa vez as camisetas eram XG!!!!!!  Meu Deus, será que as pessoas sabem o que é GRANDE???? Com certeza não. Comecei naquele momento a pensar que isso tudo é uma tática para exterminar nós, os fofinhos! Já estava vendo até leis sobre peso máximo permitido! Olhava desconfiado para as pessoas a minha volta, com o mesmo olhar de quando um obesinho está comendo e alguém se aproxima da vitimada refeição!

As pessoas com certeza nada entendiam do meu olhar, mas eu sabia que aquilo tudo era uma conspiração. Não queria proximidade com aqueles adipoassassinos.

Me contive novamente e me dirigi ao estacionamento do shopping. Chegando lá vi aquelas vagas especiais para idosos e deficientes físicos e já comecei a me incomodar com a probabilidade da idéia de num futuro próximo haver vagas mais largas, para gordos ( como se o carro acompanhasse o dono ).  

Entrei em meu carro ( com dificuldade, claro ) e fui visitar um antigo amigo. Chegando em sua casa fui recebido por meu antigo apelido:

- Goooooooooooooooooorrrrrrrrrrdooo  que saudades!!!!!!!!!!!!!!!!

Porra existe algo mais sem criatividade do que chamar um gordo de gordo? Não claro que não. Que merda use pelo menos um dos clássicos ( momo, elefante, leitão, pêra, bola, rolha de poço ). Mas gordo não! É tão óbvio que chega a ser estúpido!

Bom, após uma agradável conversa   com meu caro amigo ultra criativo, fui pra casa ( já era hora da janta, que pros gordos equivale a hora da novela para as dondocas ). Chegando em casa minha mãe me lança:

- Filho tem lasanha no forno

PORRRRRAAA!!  Lasanha??  Que sacanagem!! 

Comi um pedaço médio ( gigante ) e quando fui colocar o prato na pia minha querida mãe tem a pachorra de dizer:

- Come mais filho!! Você comeu tão pouco querido! Está meio magrinho!!

- Mãe – digo eu bem calmo – precisamos ir ao oftalmologista!

- Claro filho, você quer trocar de óculos? – ela me pergunta

- Não mã! É pra você mesmo! A senhora já deve estar com catarata, porque no mínimo um terço da visão você já perdeu!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ela fez uma cara de brava. Subi para tomar banho e é nessa hora que vem o problema. Me olho no espelho e como todo gordo faz para se acomodar pensei.

“ NÃO TO TÃO GORDO ASSIM, SEGUNDA FEIRA EU COMEÇO UMA DIETINHA!!! “

 

Por Gabriel Lucas Souza

07
Abr
08

O Pequeno Cofre

Mário era um rapaz trabalhador, era veterinário e passava maior parte de seu dia visitando fazendas por todo estado de Minas Gerais.  Amava a profissão, até pensara em largar a faculdade por problemas pessoais. Mas seguiu em frente e formou-se um bom veterinário. Especializou-se em grandes animais e seguiu a área de reprodução. Era uma parte promissora da veterinária, o rapaz era bom, tinha contatos e se deu bem. Estava ganhando dinheiro, muito dinheiro. Já havia viajado bastante. Com muito trabalho, conseguiu guardar dinheiro suficiente para comprar um objeto de seu desejo desde a adolescência. Um anel que fora de seu falecido avô e que há tempos estava nas mãos de outra pessoa. Mário fez uma oferta imperdível e arrematou o objeto. Não usava o anel, apenas o guardava numa pequena caixa em sua casa.

De tempos em tempos, o rapaz recebia alguns pedidos para ir a fazendas no estado de São Paulo. Em uma dessas visitas, após a rotina, resolveu tomar uma cerveja com um velho amigo de faculdade que morava numa cidade bem próxima à fazenda onde ele estava.

Em menos de uma hora ambos estavam sentados tomando cerveja. O anfitrião convidara Mário a conhecer as dependências da casa. Passaram por todos os cômodos e foram visitar a parte externa.  Ali Mário se deparou com alguns cães. Não simpatizava muito com eles, nunca fora muito amigo de cães ou gatos. Reparou que uma cadela estava num canto, amamentando sua cria. Apesar de ter achado o animal de uma beleza surpreendente, não se aproximou. Seu amigo vendo a admiração escondida lançou:

- Leva um pra você!

- Não! Nem brinca, não tenho tempo pra cuidar de cães

- Que isso, deixa ele na sua chácara com o caseiro! Esses cães se viram bem, além de serem ótimos cães de guarda.

- O quê? Essa coisinha de nada cão de guarda?  - Mário riu discretamente – Nunca!

Entraram novamente e continuaram a conversar na mesa.  Tomaram diversas cervejas e sendo tarde, o rapaz dormiu na casa do amigo. Logo cedo no outro dia, entrou em seu carro e viajou novamente para sua cidade. Precisava cuidar de alguns papéis. A primeira coisa que fazia sempre que entrava em casa era verificar se caixa e anel estavam ainda ali.

Uma semana depois, resolveu ir para a chácara descansar. Ali chegando foi recebido pelo caseiro que lhe disse:

- Doutor, chegou uma encomenda ai pro senhor!

- Encomenda Eriberto? – assim chamava o caseiro – Mas eu não pedi nada!

- Pois chegou uma pro senhor e óia, é demais por bonita viu!

Entraram rapidamente e qual não foi o susto do homem ao ver logo na entrada de sua casa um pequeno cachorro, que ele obviamente sabia muito bem de onde tinha saído.

Gostar não gostava, mas não faria desfeita ao amigo. Mas decidiu, fora de casa o animal ficaria. Não entraria por nada nesse mundo, faça chuva ou mesmo neve.

O tempo foi passando e Mário foi se apegando demais ao pequenino. Já levava Jack – como chamava seu cão – para as visitas às fazendas e educara bem o animal.

Mas o tal papo de cão de guarda não colou. Jack não podia ouvir um estourar de fogos que corria e se escondia embaixo de qualquer lugar que pudesse. O rapaz ria, mas não se importava.

Após algum tempo, resolveu levar o cão para sua casa na cidade. Tudo bem, dentro de casa sim, mas encima da cama jamais, pensava consigo mesmo. E novamente o animal atendeu às expectativas. Não fazia bagunça e sempre recebia o dono com a maior felicidade, com sua bolinha de tênis na boca, louco para brincar. Mas certa vez, Jack resolveu receber seu proprietário com nada mais nada menos do que a tal caixa entre os dentes.

Mário ficou louco, gritou com o cão e lhe deu diversos tapas. Ameaçando deixá-lo para fora de casa caso ele fizesse aquilo novamente. Como sempre o animal correu e se escondeu.

No dia seguinte o veterinário precisava visitar uma fazenda bem próxima e como castigo resolveu não levar Jack para o habitual passeio.

Saiu de casa às pressas e foi a seu destino. Fez tudo que deveria fazer e correu de volta para casa a fim de descansar antes do próximo compromisso.

Chegando em casa, Mário segurou o coração na boca. O portão de entrada estava escancarado  e era evidente que sua casa fora invadida. Entrou correndo e foi ao mesmo lugar de sempre. Olhou encima da lareira e não viu a bendita caixa. Os móveis estavam todos revirados, objetos no chão, vidros quebrados, geladeira aberta. O rapaz nem se lembrou de seu animal. Ficou ensandecido procurando em todos os locais pela caixa. Após quase uma hora sem sucesso, desistiu e sentou-se no sofá para se lamentar.

Foi quando ouviu um leve choro vindo do quarto. Na hora se lembrou de Jack e correu para o recinto, mas nada viu. Ficou desesperado, imaginou que pela decepção estivesse tendo ilusões. Seu cão era tão covarde que provavelmente fizera até festa para os visitantes indesejados. Mas no fim do pensamento ouviu novamente um choro, vindo do banheiro do quarto. Correu para lá e na primeira olhadela nada viu, mas se agachou e olhou embaixo da pia. Lá estava Jack. O animal estava transtornado, virado com o rosto para a parede, tremendo por inteiro.

Mário chamou-o pelo nome, Jack se virou num espasmo de felicidade e correu na direção do dono. Nessa hora, Mário pode ver entre os dentes do animal, agora um pouco amassada a caixa que tanto procurara. Abriu-a e lá dentro estava o valioso anel de seu avô

O rapaz riu de felicidade,  e riu da cara de Jack, que o olhava com as orelhas abaixadas, só esperando pelo tapa.




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